sexta-feira, 13 de maio de 2011

Non è vero

Ivo Holanda: pegadinhas do mesmo nível
Você certamente já recebeu um desse, então vai se identificar.

A gota d’água para escrever esse post foi um texto que me encaminharam com o título “homens”. A descrição era fenomenal, instigante. A introdução já demonstrava toda a emoção da autora, dizendo, “é da Oprah, apresentadora conceituadíssima nos EUA”. E continuava, “não preciso fazer considerações a respeito do texto, porque eu assino em baixo (sic). Leiam, e arrepiem-se também.”

Não precisei nem ler para constatar que era mais um daqueles textos com falsa autoria que são amiúde veiculados na internet, mas o fiz, pois são garantia de risada.

Esse especialmente continha a fórmula perfeita para agradar o público miolo mole.
Primeiro, é atribuído a uma pessoa famosa, supostamente conceituada (no caso, de conceituada a autora não tinha nada). O texto naturalmente já ganha credibilidade.

Além disso, usa bastante o imperativo. Faça, pense, aja, curta. Lassie talvez se irritasse com tantas ordens, mas parece que algumas pessoas curtem. Isso sem contar a pergunta retórica que concluiu a idéia.

É composto basicamente por um amontoado de obviedades que parecem coisas que você jamais pensou. E, por fim, assegura a quem lê a certeza de que vai dar uma guinada na vida dali em diante.

Afora esse, há outros que também fizeram bastante sucesso na rede mundial de computadores que me foram encaminhados com enorme entusiasmo.

Igualmente ao já mencionado, todos são extremamente mal escritos, cheios de reticências e sem estilo algum.

Exemplos clássicos que me vieram são aqueles do Arnaldo Jabor, ora tratando da traição do homem, ora da mulher moderna; aquele do Joelmir Betting, falando sobre as viagens do Lula; e o mais recente foi do Veríssimo, narrando um episódio em que se caga, entre muitos e muitos outros.

Embora todos os supostos autores tentem desesperadamente desmentir essas pérolas, babacas cibernéticos continuam a produzir e propalar essas porcarias, atribuindo-as a figuras de renome – ou outras nem tanto – e fazendo a alegria de pessoas dispostas a se revoltar por um minuto ou a chegar a conclusões inéditas sobre suas vidas.

Em seguida, vem outro email na caixa de entrada e a vida segue, claro.

Genaro

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