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| Ta falando comigo? |
Hoje o portal de notícias do UOL divulgou gráfico detalhando o status das obras nos estádios que aparentemente receberão a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Como já é do amplo conhecimento de todos nós, as obras estão todas atrasadas, tem seus valores subindo exponencialmente conforme passa o tempo, e serão realizadas majoritariamente com o meu, o seu, o nosso dinheiro.
Simultaneamente, a Folha de São Paulo divulga a decisão que retorna ao nefasto presidente da CBF, Ricardo Teixeira, no cargo desde 1989, seus direitos políticos, dentre eles o de se eleger, de assinar contratos com entidades do governo e de receber dinheiro público.
É um assunto desgastado, debatido à exaustão. Em meio aos albuns de fotos entitulados “Momentos” e “Pessoas especiais” no Facebook, alguns externam sua indignação. Outros mantém blogs ou contas no Twitter, como o palhaço que vos escreve. Somos politizados, dotados de espiríto crítico, contestadores.
Mas a verdade é que, ao fim do dia, temos nossas famílias, namorados (as), e amigos para nos preocuparmos. Temos o trabalho, o trânsito, o happy hour, e a balada do final de semana. Em suma, temos as nossas próprias vidas, e no final das contas as mazelas com as quais somos metralhados todos os dias têm pouca importância. Estamos acostumados.
E sabemos que Teixeira terá ainda muitos prósperos anos como um dos donos do país, coçando a sua papada desforme de dentro do seu helicoptéro. Sabemos que a Copa vai acontecer e que pagaremos por ela, régiamente. E vamos todos assistir, e torcer como se a vida dependesse de futebol, nos desligando de todo o resto durante o mês. Porque no fundo não importa. A não ser que atingidos diretamente, nossa vida segue, existem coisas mais importantes para nos preocuparmos.
E assim é com indiferença que eu constato a precisão cirúrgica que teve Mário de Andrade ao retratar nossa indiferença. Como Macunaíma, não somos o protótipo do mau caráter, enxergamos que muita coisa está errada. Ao criticarmos, mostramos que não compactuamos com isso, e estamos livres para nos dedicar ao que importa, nós mesmos.
Ao analisar “pessoas” como Teixeira, Eike Batista, José Sarney e muitas outras, os pessimistas dizem que é a natureza humana. Como disse Hobbes, o homem é o lobo do homem. Balela.
Os lobos perseguem, abatem e devoram suas presas para seu próprio sustento. No Brasil não existem lobos, lobos não são covardes, não se utilizam de armadilhas e subterfúgios, sequer falam, logo, não mentem. Aqui se você não é esperto o suficiente para preparar sua arapuca, deve contentar-se em não cair na alheia.
Caro leitor, você provavelmente espera que eu encerre este texto com uma conclusão. Mas infelizmente este blog não me dá receita, e eu estou no escritório, tenho chefes, clientes e prazos para atender. Além disso hoje à noite marquei de tomar uma cerveja com um amigo.
Mas sejamos sinceros, não acho que você se importe.
JC

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