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| Foto: Yahoo |
Realmente já não tenho mais dúvidas de que, através do Big Brother Brasil 11, a civilização humana atinge seu pináculo. Não sou moralista. Bebo, fumo, assisto pornografia. Tampouco sou religioso, sendo adepto do ateísmo, para quem não sabe, a crença na inexistência de um deus. Atualmente, acredito em qualquer coisa, e ao mesmo tempo não acredito em mais nada.
O sofrimento e humilhação do outro sempre figurou entre as maiores fontes de entretenimento do ser humano. Desde os tempos de Roma antiga, onde homens eram colocados diante de leões em batalhas perdidas, passando pelos bobos da corte medievais, e culminando em espetáculos como o BBB11. Os contratos e conveçções sociais idealizados pelos antigos filosófos foram se transformando e limitando as extravagâncias do homem, mas os caminhos são curvos, e o resultado repetitivo.
O Big Brother começou na Holanda, a partir de um conceito interessante de como reagiriam pessoas diferentes em condições de confinamento, tendo somente umas às outras. É um cenário alvo de diversos estudos psicológicos, que parte de uma premissa válida e interessante. Veio ao Brasil e fez grande sucesso, do qual grande parte se deve à competência e oportunismo do diretor Boninho.
Mas ao longo de dez edições teve uma trajetória vertical, testando as profundezas do quão baixo é possível ir. Para se ter uma idéia, o BBB 11 começou de forma promissora, com o diretor afirmando que estariam liberadas as agressões físicas. Houve a entrada de uma transsexual na casa, com a brilhante idéia de esconder tal fato dos demais participantes, para apimentar o "jogo". A partir daí um participante ejaculou no travesseiro, foram liberados os destilados pesados, uma participante atingiu o coma alcoólico, e o espetáculo do bizarro atingiu o ápice com uma garota se esfregando e apalpando um visivelmente constrangido André Marques, apresentador do Video Show.
O experimento psicológico e reality show desenvolvido pela Endemol evoluiu para um retrato contemporâneo da política do pão e circo. O confinamento, os comportamentos são secundários. A idéia agora é selecionar cuidadosamente pessoas que oferecem audiência e necessitam de dinheiro, e submetê-las a uma maratona de humilhações, testes fisícos e psicológicos, mudanças de regras, tudo regado a muita bebida para o nosso divertimento.
Não é fácil ganhar dinheiro, e seria hipocrisia de minha parte negar que a oportunidade de sucesso deveria ser recusada pela Rede Globo. Mas empurrar tamanho lixo goela adentro dos brasileiros, em uma décima primeira edição e se aproveitando da total falta de opções da TV aberta, do culto à fama que move os ignorantes participantes e da curiosidade mórbida inerente às pessoas, é golpe baixo.
É hora de seguir em frente. Assistir a isso fez de mim uma pessoa pior.
JC