quinta-feira, 26 de maio de 2011

Homo brasilis

Ta falando comigo?
Hoje o portal de notícias do UOL divulgou gráfico detalhando o status das obras nos estádios que aparentemente receberão a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Como já é do amplo conhecimento de todos nós,  as obras estão todas atrasadas, tem seus valores subindo exponencialmente conforme passa o tempo, e serão realizadas majoritariamente com o meu, o seu, o nosso dinheiro.
Simultaneamente, a Folha de São Paulo divulga a decisão que retorna ao nefasto presidente da CBF, Ricardo Teixeira, no cargo desde 1989, seus direitos políticos, dentre eles o de se eleger, de assinar contratos com entidades do governo e de receber dinheiro público.
É um assunto desgastado, debatido à exaustão. Em meio aos albuns de fotos entitulados “Momentos” e “Pessoas especiais” no Facebook, alguns externam sua indignação.  Outros mantém blogs ou contas no Twitter, como o palhaço que vos escreve. Somos politizados, dotados de espiríto crítico, contestadores.
Mas a verdade é que, ao fim do dia, temos nossas famílias, namorados (as), e amigos para nos preocuparmos. Temos o trabalho,  o trânsito, o happy hour, e a balada do final de semana. Em suma, temos as nossas próprias vidas, e no final das contas as mazelas com as quais somos metralhados todos os dias têm pouca importância. Estamos acostumados.
E sabemos que Teixeira terá ainda muitos prósperos anos como um dos donos do país, coçando a sua papada desforme de dentro do seu helicoptéro. Sabemos que a Copa vai acontecer e que pagaremos por ela, régiamente. E vamos todos assistir, e torcer como se a vida dependesse de futebol, nos desligando de todo o resto durante o mês. Porque no fundo não importa. A não ser que atingidos diretamente, nossa vida segue, existem coisas mais importantes para nos preocuparmos.
E assim é com indiferença que eu constato a precisão cirúrgica que teve Mário de Andrade ao retratar nossa indiferença. Como Macunaíma, não somos o protótipo do mau caráter, enxergamos que muita coisa está errada. Ao criticarmos, mostramos que não compactuamos com isso, e estamos livres para nos dedicar ao que importa, nós mesmos.
Ao analisar “pessoas” como Teixeira, Eike Batista, José Sarney e muitas outras, os pessimistas dizem que é a natureza humana. Como disse Hobbes, o homem é o lobo do homem.  Balela.
Os lobos perseguem, abatem e devoram suas presas para seu próprio sustento. No Brasil não existem lobos,  lobos não são covardes, não se utilizam de armadilhas e subterfúgios, sequer falam, logo, não mentem. Aqui se você não é esperto o suficiente para preparar sua arapuca, deve contentar-se em não cair na alheia.
Caro leitor, você provavelmente espera que eu encerre este texto com uma conclusão. Mas infelizmente este blog não me dá receita, e eu estou no escritório, tenho chefes, clientes e prazos para atender. Além disso hoje à noite marquei de tomar uma cerveja com um amigo.
Mas sejamos sinceros, não acho que você se importe.

JC

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Non è vero

Ivo Holanda: pegadinhas do mesmo nível
Você certamente já recebeu um desse, então vai se identificar.

A gota d’água para escrever esse post foi um texto que me encaminharam com o título “homens”. A descrição era fenomenal, instigante. A introdução já demonstrava toda a emoção da autora, dizendo, “é da Oprah, apresentadora conceituadíssima nos EUA”. E continuava, “não preciso fazer considerações a respeito do texto, porque eu assino em baixo (sic). Leiam, e arrepiem-se também.”

Não precisei nem ler para constatar que era mais um daqueles textos com falsa autoria que são amiúde veiculados na internet, mas o fiz, pois são garantia de risada.

Esse especialmente continha a fórmula perfeita para agradar o público miolo mole.
Primeiro, é atribuído a uma pessoa famosa, supostamente conceituada (no caso, de conceituada a autora não tinha nada). O texto naturalmente já ganha credibilidade.

Além disso, usa bastante o imperativo. Faça, pense, aja, curta. Lassie talvez se irritasse com tantas ordens, mas parece que algumas pessoas curtem. Isso sem contar a pergunta retórica que concluiu a idéia.

É composto basicamente por um amontoado de obviedades que parecem coisas que você jamais pensou. E, por fim, assegura a quem lê a certeza de que vai dar uma guinada na vida dali em diante.

Afora esse, há outros que também fizeram bastante sucesso na rede mundial de computadores que me foram encaminhados com enorme entusiasmo.

Igualmente ao já mencionado, todos são extremamente mal escritos, cheios de reticências e sem estilo algum.

Exemplos clássicos que me vieram são aqueles do Arnaldo Jabor, ora tratando da traição do homem, ora da mulher moderna; aquele do Joelmir Betting, falando sobre as viagens do Lula; e o mais recente foi do Veríssimo, narrando um episódio em que se caga, entre muitos e muitos outros.

Embora todos os supostos autores tentem desesperadamente desmentir essas pérolas, babacas cibernéticos continuam a produzir e propalar essas porcarias, atribuindo-as a figuras de renome – ou outras nem tanto – e fazendo a alegria de pessoas dispostas a se revoltar por um minuto ou a chegar a conclusões inéditas sobre suas vidas.

Em seguida, vem outro email na caixa de entrada e a vida segue, claro.

Genaro

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Uni Duni Tê

Tá dificil saber
fonte: UOL
Escolha o americano mais imbecil dessa segunda-feita.

De um lado, Cheryl Stewart, que pôs essa placa patética em frente à sua casa.

De outro, o professor Gary Weddle, que prometeu raspar a barba somente após a captura de Bin Laden.

Obrigado, UOL, por me trazer fotos de tantos otários juntos.

Iú És Êi!

Genaro

Vitória do bem

Atores?
A história chegou ao seu fim. Mais uma vez, como em todo filme hollywoodiano, com um happy ending.

O discurso tocante de Obama, que se encerrou com a original e sincera frase “justice has been done”, além de transmitido ao vivo nos plantões jornalísticos, foi repetido por inúmeras vezes.

Que dia feliz!!! Americanos idiotas nas ruas festejando o fato, celebrando o fim do terror. Brasileiros, estes mais informados, tuitando e facebookando palavras de alívio, de congratulação, outros até de justíssimo receio, e, principalmente, de felicidade com a captura de Osama Bin Laden.

A mídia brasileira, por sua vez, depois de cobrir o casamento real, agora se volta para o sucesso da operação militar que culminou na morte do homem mais perigoso e procurado do mundo. Os correspondentes da Rede Bobo que cobriram a notícia e os que registraram as festividades nos EUA traziam “a notícia mais aguardada dos últimos dez anos”.

E mais. Exames confirmam: o DNA é mesmo do ex-terrorista!
Assim que houve essa constatação, o corpo foi enrolado em um lençol branco e atirado ao mar, como manda a tradição islâmica. Isso mesmo, sem fotos, sem registros, em sinal de respeito.

Mas calma! A Interpol alertou sobre possíveis retaliações da Al Qaeda.

Pára, pára, pára!!! Até onde essa seqüência de mentiras vai???
Ninguém duvida da capacidade do Governo americano de criar historinhas mentirosas, tais como a do 11 de setembro, que custou milhares de vidas inocentes. Porém, eu sinceramente acreditava que seguir em frente com essa seria subestimar a inteligência da população. Mas não, ainda não foi dessa vez.

Poucas foram as pessoas que questionaram a veracidade de todo esse cirquinho.

Longe de querer ser dono da verdade, não consigo acreditar em nada mesmo dessa estória além da criação de um bode expiatório para as armações do Bush e agora do Obama.

Desculpem-me, mas pra mim foi demais.

Enquanto as pessoas realmente acham que algo vai mudar de hoje em diante, a corrupção, a fome, a violência, a impunidade continuam firmes - essas sim, responsáveis pela morte de muito mais do que 3.000 BRASILEIROS por ano, mas que passarão mais alguns dias completamente esquecidas, como aconteceu na última sexta-feira, quando William e Kate adentravam o altar da Abadia de Westminster.

Nós temos muito mesmo o que comemorar.

Genaro