| A casa está caindo para o sanguinário ditador/virtuoso guitarrista. |
Muammar Gaddafi é um sanguinário, megalomaníaco, tirano e lunático. As fantásticas melodias que tira de sua guitarra quando assume seu alter ego, o lendário mexicano Carlos Santana, de modo algum servem de desculpa para as atrocidades que comete.
E quando o povo Líbio se fartou, pegou nas armas e foi às ruas. Tomou cidades estratégicas nas quais havia as maiores refinarias de petróleo do país, a anunciaram a marcha a Tripoli para encerrar o longo regime do ditador.
A retaliação foi violenta e imediata e o resultado a guerra. Em meio ao desastre ocorrido no Japão e a eliminação de Muricy na Libertadores, coube aos paladinos do conselho de segurança da ONU uma resposta. E esta foi dada por meio da resolução aprovada e aplaudida, visando proteger os civis que estavam sendo vitimizados pelos ataques do exército Líbio.
O texto da resolução, em seu principal ponto, diz:
4. Authorizes Member States that have notified the Secretary-General,
acting nationally or through regional organizations or arrangements, and acting in
cooperation with the Secretary-General, to take all necessary measures,
notwithstanding paragraph 9 of resolution 1970 (2011), to protect civilians and
civilian populated areas under threat of attack in the Libyan Arab Jamahiriya,
including Benghazi, while excluding a foreign occupation force of any form on any
part of Libyan territory, and requests the Member States concerned to inform the
Secretary-General immediately of the measures they take pursuant to the
authorization conferred by this paragraph which shall be immediately reported to
the Security Council;
Se você não fala inglês, caro leitor, não se de ao trabalho de traduzir, pois os estadistas das maiores potências do mundo não se deram. Para eles está escrito "escolhe um lado e manda bala". Provavelmente tendo assistido à saga de Star Wars, juntaram-se aos rebeldes, talvez imaginando que a Força estivesse do lado deles.
Antes que venham fervorosamente me criticar e acusar de apoiar o maníaco Gaddafi, vou colocar em termos claros: gostaria que ele perecesse no conflito, e torço para um infeliz acidente.
Agora, não me apareçam exaltando o absurdo. Organizações rebeldes paramilitares armadas não são civis. O que acontece na Líbia chama-se guerra civil, e mais uma vez o ocidente escolheu um lado. Mais uma vez tomou as rédeas da ofensiva, com mísseis e bombas da democracia, com o nobre objetivo de libertar um povo. Mais um petisco para o ódio contra o ocidente que já adquire proporções assustadoras em tantos lugares do mundo. Mais um pretexto para futuros escândalos, intrigas e torturas.
A tão falada resolução é um álibi, só não enxerga quem não quer. Esse filme nós já vimos, mais de uma vez, e, apesar do final nada feliz, vamos aplaudir mais esta edição.
O Brasil se absteve, alegando que temia que exatamente isto fosse acontecer. E fez bem, porque país onde morre gente em ritmo de guerra o ano todo, onde palhaço é deputado e deputado é palhaço tem mais é que limpar a própria a bunda antes de dar pitaco em conselho da ONU.
JC
Bela crítica sócio-política. É um texto deveras maduro.
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