segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Valete, Dama, Rei e Bobo


Papel de bobo semalmente

Esses deveriam ser apenas os personagens de um bom e velho baralho Copag, mas não, são os protagonistas da rua durante a noite paulistana aos finais de semana.

O assunto é velho, porém segue mutilando minha saúde mental naquele momento em que eu deveria apenas me divertir e relaxar.

A cena é sempre a mesma.
O prestativo rapaz que trabalha para o valet abre a porta para a dama que está sentada no banco do passageiro para que ela entre triunfante na balada ou no bar; no mesmo momento em que seu namorado, o rei, também merece que a pesada e desgastante tarefa de abrir a porta do carro fique a cargo do outro funcionário da empresa. E, a contragosto, assistindo a tudo isso, eu, o bobo, o otário, que é obrigado a esperar, buzinar em vão, ou arriscar vidas entrando desesperadamente na contramão para seguir o meu caminho.

Já quase curado dessa sucessão de cenas ocorridas na ida, presencio, na volta, a despedida calorosa e demorada que o ilustre casal despende a cada um de seus amigos, enquanto seu carro permanece com as portas gentilmente abertas no meio da rua.

O desrespeito à lei, à cidadania e a falta de educação não são nenhuma novidade, além disso seria enfadonho e patético ficar tratando de cada uma delas como se eu tivesse descoberto a roda, mas essa putaria instituída por esses canalhas que se julgam no direito de ferrar com a vida de quem por ali passar é uma desgraça sem tamanho.

E a culpa, obviamente, não é só das empresas de valet, mas também daquele casalzinho de merda que não vê o menor problema em nos fazer esperar por eles, afinal, o bonitão pagou quase 20 pau por esse serviço.

Os ímpetos criminosos que me tomam nesse momento são dos mais variados. Ainda bem que não tenho um caminhão, nem uma arma. Ainda bem mesmo.

Genaro

Um comentário:

  1. Não quero defender o "casalzinho de merda", mas não vamos nos esquecer que, sem o vallet, deixamos o carro no "flanelinha de merda"..

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