| Os craques estão prontos para brilhar no futebol brasileiro |
Como em todo começo de ano, o mercado do futebol está agitado, e os rumores voam sem direção de um lado para o outro. Existem algumas notícias que realmente colocam o grifo no status de otário do torcedor, já consagrado na dinâmica do esporte nesse nosso delicioso país.
Adriano está voltando para a Roma, mas prometeu que em junho retorna ao Flamengo. Ele está triste, porque ama o Rio, ama fazer churrasco sem camisa em Vila Cruzeiro. Por que ninguém se pergunta a razão da pífia passagem pela capital italiana? Por que o jogador trocou o Flamengo campeão brasileiro por uma volta a um país onde não se adapta, com um técnico linha dura? Como esperado não entrou em forma, não jogou, brigou com todos, pegou as luvas e começou a chiar para retornar. Ainda assim é cobiçado e se vier será tratado como o filho pródigo.
Ou o caso de Robinho. Se esforçou para vir por empréstimo no ano passado, porque ama o Santos. Fez de tudo para não voltar para lá, porque ama o Santos. O fato de que era um reserva em um time pequeno da Inglaterra que ficou rico por acaso pouco importa. Quando está por baixo, todo mundo fica cheio de amor para dar. É o mesmo jogador que se recusou a treinar e comparecer ao clube que ama para forçar a tranferência para o Real Madrid, por um valor abaixo da multa recisória. Fracassou na Espanha. Um ídolo.
E a bola da vez é Ronaldinho. Especula-se que esteja dividido entre o amor ao Rio de Janeiro, sua ligação com o Grêmio ou o dinheiro do Palmeiras, cujo elenco reclamou da falta de pagamento de salários em mais de uma ocasião em 2010. Se vier vai bater falta, fazer gol de pênalti e dar chapéu no meio campo. Vai também conhecer uma série de estabelecimentos noturnos. Outro ídolo.
E assim segue a nova moda. O jogador, fora de forma e com profissionalismo duvidoso, perde espaço na Europa, e agora tem a opção de voltar para o Brasil jogando metade do que um dia jogou, com a barriga saliente, gahando salário de primeiro mundo. Se aproveitando de um futebol mais técnico e menos físico jogado aqui, fazem seus golzinhos, muitos deles de falta, pênalti e rebote, e são alçados ao status de ícones.
Os palhaços que cuidam de nossos clubes, por sinal falidos, se aglomeram, acotovelam e digladiam para contar com esses jogadores.
Assim como nós torcedores nos esprememos nas filas dos estádios, cercados de cambistas e policiais truculentos, sabendo que não haverá ônibus no horário que saírmos, ou, se estivermos de carro, ele pode não estar mais lá. Ou quando nos apertamos na fila de uma casa noturna, por horas, para bebermos doses de bebida falsa por preços superiores ao de uma garrafa.
O brasileiro é mulher de malandro. Gosta de apanhar, levar na bundinha, é macio ao toque, tenro. Inofensivo como um chester.
O negócio é fechar os olhos, colocar a mão na mesa e morder o algodão que vem fumo de novo.
Feliz ano novo.
JC
Feliz ano novo.
JC
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