| "Never go against the family" |
Don Corleone é poderoso, influente. Cobra de todos os estabelecimentos da cidade uma taxa de proteção, proteção essa contra ele mesmo. Todos lhe devem favores, e aqueles que cruzam seu caminho acabam sentados no fundo da lagoa com as calças borradas. Isto é, a não ser que detenham algo que o padrinho precise ou deseje.
Nosso Don é a personificação do Brasil. O país toma de você aproximadamente 30% do que você ganha. Tudo o que você adquire precisa molhar (e bem) a mão do padrinho, desde um saco de arroz até uma jóia. A caloi tupiniquim é chamada de carga tributária, e é como a taxa de proteção da máfia, destinada à sua segurança, saúde, educação e bem estar geral.
Só que se você sair de casa e for recebido pela famosa azeitona de chumbo, o problema é só seu. Se você tem uma hemorragia interna, como diria o fanfarroníssimo presidente do São Paulo Juvenal Juvêncio, você morre, não tem estrutura. Se coloca o filho na escola estadual ele aprende a destravar e lixar o número de série de uma pistola 9mm.
A diferença entre Vito Corleone e o Brasil é que o Brasil não faz favores, só toma. Quer dizer, a não ser que você seja político, dono de um império petrolífero ou amigo do patrão. Aí a história é outra.
Capisce?
JC
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