sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O Brasil en persona - Cosa Nostra

"Never go against the family"
Qualquer um que não odeie a vida assistiu à obra prima que é a trilogia de filmes que compõe "O poderoso chefão", inspirada na obra de Mario Puzo, e conhece Don Vito Corleone, o padrinho.

Don Corleone é poderoso, influente. Cobra de todos os estabelecimentos da cidade uma taxa de proteção, proteção essa contra ele mesmo. Todos lhe devem favores, e aqueles que cruzam seu caminho acabam sentados no fundo da lagoa com as calças borradas. Isto é, a não ser que detenham algo que o padrinho precise ou deseje.

Nosso Don é a personificação do Brasil. O país toma de você aproximadamente 30% do que você ganha. Tudo o que você adquire precisa molhar (e bem) a mão do padrinho, desde um saco de arroz até uma jóia. A caloi tupiniquim é chamada de carga tributária, e é como a taxa de proteção da máfia, destinada à sua segurança, saúde, educação e bem estar geral.

Só que se você sair de casa e for recebido pela famosa azeitona de chumbo, o problema é só seu. Se você tem uma hemorragia interna, como diria o fanfarroníssimo presidente do São Paulo Juvenal Juvêncio, você morre, não tem estrutura. Se coloca o filho na escola estadual ele aprende a destravar e lixar o número de série de uma pistola 9mm.

A diferença entre Vito Corleone e o Brasil é que o Brasil não faz favores, só toma. Quer dizer, a não ser que você seja político, dono de um império petrolífero ou amigo do patrão. Aí a história é outra.

Capisce?

JC 

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